Somos livres por completo… ou já nascemos com um sentido?
O existencialismo afirma que o ser humano nasce sem essência e constrói a si mesmo por meio das escolhas. Seus opositores de Platão a Kant sustentam o oposto: há uma ordem, um sentido ou uma razão anterior à escolha individual. (Confira)
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Filósofos e correntes que se contrapõem ao existencialismo
O existencialismo, sobretudo em sua forma moderna, afirma que a existência precede a essência. Em outras palavras: o ser humano não nasce com uma natureza ou finalidade pré-definida — ele constrói a si mesmo por meio de suas escolhas. Essa tese, defendida de forma emblemática por Jean-Paul Sartre, provocou forte oposição ao longo da história da filosofia.
A seguir, reunimos os principais pensadores e tradições filosóficas que se contrapõem direta ou indiretamente ao existencialismo.
1. Platão — A essência precede a existência
Para Platão, a realidade sensível é apenas uma sombra de uma realidade mais profunda: o mundo das Ideias. As essências — o Bem, a Justiça, a Verdade — existem antes de qualquer indivíduo.
O ser humano não cria sua própria essência; ele deve recordá-la e conformar sua vida a ela por meio da razão e da educação filosófica.
Essa visão é diametralmente oposta ao existencialismo, que rejeita qualquer essência prévia.
Para Platão, a verdade não é criada — é descoberta.
2. Aristóteles — Natureza, finalidade e teleologia
Aristóteles discordou de seu mestre Platão em vários pontos, mas manteve a ideia de que os seres possuem uma natureza própria (physis) e uma finalidade (telos).
O ser humano, para Aristóteles, é por natureza um animal racional e político, orientado à realização da virtude (areté) e da vida boa (eudaimonia).
Não somos uma folha em branco radical, como sugeriria o existencialismo.
Aqui, a liberdade existe, mas dentro de uma estrutura natural e ética objetiva.
3. Tomás de Aquino — Essência, criação e Deus
Na filosofia medieval, Tomás de Aquino integra Aristóteles ao cristianismo. Para ele, Deus cria o ser humano com uma essência e um fim: participar da ordem racional e moral da criação.
A liberdade humana não é absoluta; ela é ordenada.
Escolher contra essa ordem não é autenticidade — é desvio.
Para Aquino, a essência precede a existência porque procede de Deus.
4. Immanuel Kant — Razão prática e estrutura moral universal
Kant não aceita o relativismo existencialista. Embora reconheça a liberdade, ele afirma que a ação moral deve obedecer a uma lei racional universal: o imperativo categórico.
A subjetividade não cria valores do nada; ela deve submeter-se à razão prática.
Portanto, a ideia existencialista de que cada indivíduo cria seu próprio sentido moral é, para Kant, eticamente perigosa.
A liberdade, aqui, não é invenção, mas autonomia racional regulada.
5. Hegel — O indivíduo dentro da história
Hegel critica qualquer filosofia que isole o indivíduo. Para ele, o sujeito só se compreende dentro de um processo histórico e social — o desenvolvimento do Espírito (Geist).
A ideia existencialista de um indivíduo radicalmente solto no mundo ignora as estruturas históricas, culturais e institucionais que moldam a consciência.
Não somos apenas escolhas individuais: somos história em movimento.
6. Estruturalismo — O golpe final no existencialismo
No século XX, o estruturalismo surge como uma crítica direta ao existencialismo. Pensadores como Claude Lévi-Strauss argumentam que o sujeito não é o centro do sentido, mas um efeito de estruturas linguísticas, culturais e sociais.
Aqui, a liberdade existencial perde espaço para sistemas que operam independentemente da consciência individual.
Não escolhemos tudo: somos atravessados por estruturas invisíveis.